A Várzea de nossos dias já não é aquele arrabalde distante, com chácaras e sítios de veraneio; tampouco, aquele balneário de águas cristalinas do Rio das Capivaras, em que senhoritas de maiô, vinham provocar alumbramentos, como aquele do menino poeta, Manuel Bandeira.
A Várzea de hoje parece com o que o idioma inglês chama, “town”, ou seja, uma espécie de vilarejo.
Sim, towns:
Menores do que uma “city”, que tende a ser uma metrópole movimentada, as towns ou villages são povoados que apresentam uma harmonia entre o mundo urbano e o arrabal campesino e bucólico.
Várzeatown seria, então, esse espaço sub/urbano e cult/rural, com esse estado de espírito, essa atmosfera tranquila, de lugar pacato, onde ainda se joga o dominó na praça e em que se podem comprar frutas, verduras, raízes e tubérculos, nas calçadas de sua colorida e festiva, Rua da Feira.

Mas, Várzeatown tem suas contradições.
A especulação imobiliária acaba de voltar seus olhos ávidos para essas terras férteis, a oeste do Recife. E não havia interesse de cultivar jardins e pomares. Ah, não, mesmo.
Vejamos:
Depois de erguer torres imensas em Casa Forte, e adjacências, congestionando o trânsito e criando ilhas de calor, onde antes soprava a brisa da antiga mata ciliar do Capibaribe, agora a especulação imobiliária tem seu foco na Várzea.
Não sou contra o progresso, mas a sensatez, o caminho do meio, o equilíbrio entre as novas torres varzeanas e seus antigos sobrados e quintais deve prevalecer.
A propósito, a rua da Matriz está harmoniosa, com a chegada da cafeteria, que deu um toque europeu, às calçadas antigas. Hoje, para lá afluem turistas e namorados, que se encontram num casario ressignificado, tudo indica, pelo bom gosto de arquitetos.
Por outro lado, a rua da Levada, aguarda, curiosa, o condomínio Iron House, que promete ser de primeira linha, apesar de ocupar toda a margem norte, da lagoa do castelo dos Brennand.
Valha-me, Deus!
O velho Brennand, um ecologista dos velhos tempos, (mesmo antes de existir a própria palavra, ecologia), onde quer que esteja, deve estar preocupado com essa aproximação perigosa da especulação imobiliária, nas franjas da sua Mata do Segredo.
A população da Várzea antiga também está cismada com as torres dessa Várzeatown, que surge no horizonte…

É hora de começarmos a questionar essa invasão sobre as terras varzeanas. Antes que seja tarde.
Antes que o capitalista possa seduzir nossa juventude com parcerias e patrocínio de eventos que distraem a atenção da nossa gente, enquanto as torres, silenciosamente, vão surgindo no horizonte…
Alerta vermelho!