
Caiu a ficha, afinal. Por esses dias, mudei do Engenho Velho pro centro da Várzea. Como sou bicho de dentro de casa, um pouco autista, solipsista, sei lá, — só ontem me deparei com o trânsito do bairro. Precisamos levar um pet ao veterinário e saímos pelas 20:30.
Ao tirarmos o carro da garagem, já sentimos o clima! Uma música estridente, ao que parece, feita para crianças com TDAH, deu-me um susto. Vinha da praça Pinto Dâmaso, a 200 metros de casa.
Gastamos meia hora, num trajeto feito em 2 minutos, a pé. Quase tive um surto de pânico, encalacrado num carro velho, com uma multidão de pais e filhos azucrinados, disputando o passeio gratuito no trenzinho lotado.
Mas não era um trem normal. Era uma imensa carreta de trio elétrico, com luzes feéricas, puxando vários vagonetes, abarrotados de gente. Os pais a se empurrar, tentando subir nesse monstrengo e aquela música estridente invadindo nossos ouvidos.
Coitada da gatinha Bijou, assustada, dentro do viajante, no banco de trás.
Ela, a gata, e eu, morávamos no mato, no silêncio, na quietude do Arruadinho do Engenho Velho, ali, escondido no campus da Universidade Federal de Pernambuco.
Confesso que fiquei quase sem fôlego, feito um bichinho acuado pelo seu enorme predador.
Foi assim, meus 13 leitores, que caiu a ficha de que, agora, moro no centro comercial da Várzea do Capibaribe.
Valha-me Deus!
Eita amigo, caiu na triste realidade da civilização kkkkkkk Pois é, a nossa querida, pacata e bucólica Várzea, não é mais a mesma.