Tigun e Bagun  – 2

Esqueci de lhes dizer o destino do Bagun. Tigun, como já disse, foi trabalhar num banco. Bagun foi pra Escola de Aprendizes Marinheiros, de Olinda.

Os dois eram presepeiros, mas Tigun gostava de dinheiro; Bagun, de poder.

Gêmeos nem sempre são iguais, né,  mesmo?

Pois bem…

Bagun ficou famoso na Escola de Aprendizes por sua fama de lutador de artes marciais. Imaginem nosso reencontro depois daquele soco na cara. Seria meu fim! rsrs

Qual o quê! Meu amigo até hoje. Mérito dele. Ao ser esmurrado por um raquítico, que nem eu, mostrou uma fleugma imperturbável. Essa característica o levaria ao sucesso nas artes marciais da Marinha. Frio e demolidor!

Artes marciais que o fizeram ordenança de um capitão de corveta, a quem salvou de um asssalto na praia Del Chifre. Com rabos de arraia, ou meia-lua, como chamam alguns, derrubou dois meliantes que intentaram assaltar o velho oficial da Marinha. Essa amizade o levaria para o Rio de Janeiro, onde vive até hoje.

Foi transferido, no entanto,  por conta das espertezas. Fez aquele antigo desafio das perguntas impossiveis a um professor da Escola de Aprendizes Marinheiros:

Mestre, o senhor que já foi  navegador de longo curso, me responda,  sem pestanejar, quantas peixes há no mar e quantas estrelas no céu?

Estávamos em plena ditadura, 1974, por aí. Tempos difíceis…

O professor fechou a cara e disse:

Tá com gracejo, marujo? Pois me diga você e se errar vai pagar 100!

A resposta vocês já sabem, né. Trilhões no norte, trilhões no sul e… nem terminou de quantificar os peixes.

A uma ordem do professor, que era um renomado oficial, dois marinheiros parrudos o agarraram.

Levem-no pro alojamento! Vou providenciar sua exclusão do curso!

Não foi excluído, graças à intercessão daquele capitão de corveta, o carioca, que o levou pro Rio, como ordenança.

As más línguas, como é  comum ocorrer, viram nessa proteção um improvável e afetivo cuidado. Não! Não era afeminado, o nosso Popeye. E tinha muitas Olívias. Mas, vá saber…

P.S.: defenderei aqui a heterosexualidade do meu amigo, campeão de lutas marciais e lhes garanto que não é por medo dele vir revidar o soco na cara. Não é medo. É cagaço, mesmo.

Não riam, por favor!

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