
Andava, por esses dias, num isolamento social pós-pandemia, ainda que com certo prazer. Deve ter sido a minha fase de velho porco-espinho, o que afastou muita gente. Eu chamo a isso “envelhescência”.
No entanto, apareceu uma coisa muito interessante, nessa solidão: Tempo
Tempo de sobra pra ler, ver bons vídeos e filmes, como esse:
E elucubrar, coisa que faço desde a mais tenra infância. Elucubrar e escrever, como estou fazendo aqui e agora.
Pois bem…
O velho porco-espinho baixou numa discussão com estudantes de Design, que exigiam duas coisas para fazerem ilustrações de um livro, cá da comunidade do Engenho Velho:
Primeiro, que lhes fossem enviados “blocos de texto”, da história que estava sendo criada. Eu conhecia, (coisa antiga), “parágrafos”, frases que iam surgindo da inventividade de quem escreve. Parágrafos que fazem parte de um todo, ainda não urdido. Como separar blocos, ou seja, pedaços, de algo que não está concluido na parte e que aguarda o todo, o texto final, para ter ou fazer sentido?
Meu espinho geracional apontou, afiado, pros jovens estudantes.
Depois, disseram pra aproveitar a história do Engenho Velho pra denunciar o racismo e tal. Estava muito açucarada, a narrativa.
Eu retruquei com o argumento de que uma velhinha estava a contar aquela história para as crianças, e isso acontecia em meados de 1890.
E o espinho dessa vez foi a palavra, anacronismo, lançada como um dardo, contra os alunos. Paulo Freire me censuraria, com certeza. Faltou-me a amorosidade.
Mas, ninguém come cocadas, chorando pelos escravizados que a inventaram, nos engenhos. Já pensou em chorar diante de um cuscuz ao leite de coco, lembrando do tempo do cativeiro, como num velho samba do Martinho.
Anacronismo.
E então ouvi de uma estudante o argumento capcioso de que, ” tudo bem, não é meu “lugar de fala“.
De há muito eu venho tentando polemizar esse tal “lugar de fala” e o pensador do vídeo acima, deu-me, de bandeja, o mote. Antes de um lugar de fala há um lugar de pensamento. Que nem precisa ser crítico (digressão minha) mas, apenas, pensamento. Isso que parece tão singelo e óbvio, nos liberta dos grilhões desse famigerado “lugar”. Todos podem e devem pensar sobre os acontecimentos e fatos sociais, mormente, sobre as catástrofes. Pode-se elucubrar livremente e falar. Por exemplo: um homem pode defender a emancipação das mulheres; uma pessoa branca, pode defender a negritude e a afrocentricidade.
Meu lugar de fala é e deve ser o lugar a que me leva o meu pensamento crítico sobre a realidade.
É…
Um porco-espinho se esconde em mim.
Briguei com outro aluno por causa dos meus gatos. Deixa que os gatos foram só um pretexto. Eu estava injuriado com a insistência desse tal pra que eu usasse o Instagram. Saco!
Saco de gatos! Kkk
Teve mais briga! Todas superficiais e provisórias, mas o porco-espinho, espinhando, ficou.
Agora ele está me furando por dentro.
Bem pouco, seu véi ranzinza!
Bem pouco…rsrs