Arte, Foto, Alma – exercícios de haicais

Em parceria com o fotógrafo Victor Inojosa, cometo uma série de tercetos, ao modo japonês, (haicais*), tendo como mote suas imagens, feitas com arte, foto e alma.

close-up, ora veja:

o pé da estátua, a gata.

Que grata surpresa!

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viajar, se em vão chover…

e evadir-se do inverno

n’alma. Viver!

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Impata tua vista.

Esconde o horizonte.

Construto fascista.

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Abanca-te à margem

de um caminho antigo.

Na prosa, a viagem.

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Sagrada é a Terra!

Mãe desses seres mudos,

na aurora das eras…

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Quem casa, quer casa.

Um ninho, um lar, um abrigo.

O amor pede asas.

***

Profundo mistério:

A vida é breve e verde.

Levemo-la a sério.

***

Se a alma é lavada,

a vida é o tecido

na corda esticada.

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Foi-se o tempo, é verdade,

De conversar na calçada.

Hoje: alvenaria e grade.

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Trabalhar é a vida

dessa gente humilde.

Pra quem é sua lida?

***

Vês esses velhos retraços,

no pó da estrada que somos?

Esses são nossos retratos…

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Meus olhos baços

nas rugas desse caminho

de antigos passos…

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Já foi floresta.

Hoje, utensílio.

Vida que resta…

***

Se o corpo é só u’a veste

o que é isso estranho

que ele reveste?

***

*

Haicai ou Haiku é um tipo de poema de origem japonesa que tem como característica principal os versos curtos. Seu nome deriva de dois termos: “hai” – brincadeira – e “kai” – harmonia. Acredita-se que o haicai seja um desdobramento do waka – gênero poético que surgiu no Japão. 

A simplicidade é um elemento fundamental de um haicai, cujas palavras difíceis e abstratas não fazem parte da sua proposta poética. Nesse estilo de texto, os temas mais explorados são referentes ao cotidiano e à natureza. A forma direta, objetiva e divertida do haicai se tornou popular em diversos países, ganhando contornos rítmicos e temáticos específicos de acordo com cada lugar.

Fonte: Haicai

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