Em parceria com o fotógrafo Victor Inojosa, cometo uma série de tercetos, ao modo japonês, (haicais*), tendo como mote suas imagens, feitas com arte, foto e alma.

close-up, ora veja:
o pé da estátua, a gata.
Que grata surpresa!
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viajar, se em vão chover…
e evadir-se do inverno
n’alma. Viver!
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Impata tua vista.
Esconde o horizonte.
Construto fascista.
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Abanca-te à margem
de um caminho antigo.
Na prosa, a viagem.
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Sagrada é a Terra!
Mãe desses seres mudos,
na aurora das eras…
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Quem casa, quer casa.
Um ninho, um lar, um abrigo.
O amor pede asas.
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Profundo mistério:
A vida é breve e verde.
Levemo-la a sério.
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Se a alma é lavada,
a vida é o tecido
na corda esticada.
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Foi-se o tempo, é verdade,
De conversar na calçada.
Hoje: alvenaria e grade.
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Trabalhar é a vida
dessa gente humilde.
Pra quem é sua lida?
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Vês esses velhos retraços,
no pó da estrada que somos?
Esses são nossos retratos…
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Meus olhos baços
nas rugas desse caminho
de antigos passos…
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Já foi floresta.
Hoje, utensílio.
Vida que resta…
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Se o corpo é só u’a veste
o que é isso estranho
que ele reveste?
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Haicai ou Haiku é um tipo de poema de origem japonesa que tem como característica principal os versos curtos. Seu nome deriva de dois termos: “hai” – brincadeira – e “kai” – harmonia. Acredita-se que o haicai seja um desdobramento do waka – gênero poético que surgiu no Japão.
A simplicidade é um elemento fundamental de um haicai, cujas palavras difíceis e abstratas não fazem parte da sua proposta poética. Nesse estilo de texto, os temas mais explorados são referentes ao cotidiano e à natureza. A forma direta, objetiva e divertida do haicai se tornou popular em diversos países, ganhando contornos rítmicos e temáticos específicos de acordo com cada lugar.
Fonte: Haicai