BÁÇIRA XI (mensagem)

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FÊNIX
Emanuel Brito

Assim, a lenda se escorre,
a entrar na realidade.
E a fecundá-la decorre.

(Fernando Pessoa, in Mensagem)

Ï(((

O Peso aos Habitantes do Recife ecoou pela serra da Báçira! Eu me senti aliviado. Curado de meus temores mais profundos. Olhei pra trás e vi os olhos chorosos dos nativos. Em Báçira, a poesia chega aos corações de todos os seres vivos. A chuva fininha caia pela minha cabeça, descia pela minha face e escorria pela minha barba.

“Como é bom e agradável ver unidos os irmãos. É como o óleo que desce pela cabeça, pela barba de Aarão!”

O peito do Golem agonizante começa a se mexer. A ponta de uma faca peixeira vai rasgando o bucho da fera, de dentro pra fora e, eis que Seu Pavão sai de dentro do bicho, que estertora. Todos o olham com assombro! Seu Pavão parece transtornado, empunhando aquela faca ensanguentada.

)Ï Ï(

(Dr. Carlos, que de repente se tornara clarividente, levanta a mão direita e acalma o povo. )

— Seu Pavão vai fazer uma confissão!

Ï(((

Seu Pavão chora copiosamente. A chuva escorre pelas suas penas e ele parece um pinto molhado. Cadê aquele orgulhoso sacerdote, arrogante feito um coroné das antigas? Estava ali, diante de seu povo, humilde e fraco. Só fazia chorar. Chorava feito uma criança…

)Ï Ï(

— Povo da Báçira, eu vos peço perdão! Por conta da minha ganância, quebrei meus votos sacerdotais. Eu era duas pessoas. Uma aqui, na serra e outra lá na rua, na cidade. Criei um golem, com meus conhecimentos cabalísticos. Mas não tive a prudência de destruí-lo na hora devida. Perdoem-me!

(Doutor Carlos atalhou:)

— Peraí um pouco! Ninguém aqui pense que é melhor do que Seu Pavão. Todos nós carregamos essa gana de poder, de prestígio e de riqueza. Ninguém está livre de criar seu gigante alado. Portanto, fiquem cientes de que, pelo mundo há milhares, milhões de golens. No mundo lá de fora, de onde vieram nossos convidados, há um Golem imenso sobre o planalto central. Ele sobrevoa o cerrado, o pantanal e segue para as regiões amazônicas. Ele está no coração do poder central. O Brasil corre perigo. O mundo corre perigo. A natureza está sendo destruída por esse gigante alado. Nossa experiência na Báçira deve ser levada para todos os habitantes da Terra. Não é a primeira vez que se alevanta um monstro desses a querer destruir a vida de todos os seres. Mas, juntos já vencemos o mal muitas vezes e venceremos de novo.

Ï(((

Seu Pavão me deu um abraço e toda a tribo abraçou-se e foi um choro só, de alegria!

[PG]

A Mãe Gaia sorria, lá do alto da nuvem branca…

Ï(((

Báçira havia vencido.

Era um exemplo para o Brasil!

Sinalética da Báçira:

Experimento gráfico, a partir das técnicas de formatação de roteiros

(consulte o almofariz para ver a sinalética)

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