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Estava eu dizendo ao meu compadre que aquilo era o Paraíso. Portanto, nós fizemos a passagem para o Além . Nesse instante, Dona Miúda pousou no meu ombro e me esclareceu tudo:
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(Dona miúda sussurando)
Vocês estão na Mátria! Aquilo que vocês chamam de pátria é uma ilusão do superego autoritário e patriarcal. Essa é a verdadeira nação de todos nós. Existe antes de Pindorama. Coisa muito antiga. Milênios de civilização estão diante dos seus olhos. Essa paisagem só se revela aos escolhidos. Desfrutem-na, pois a missão está apenas começando. A Grande Sombra ameaça a nossa Mátria! Nossa luta será contra as potestades do ar!
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Fiquei boquiaberto. Nós, ali, desarmados. Não trouxemos nem um canivete suíço. Que inimigo seria essa tal Grande Sombra? Fui pensando isso e descobri que os pensamentos eram lidos pelo povo da Mátria. Dona Miúda voou para uma árvore e gritou:
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(Dona Miúda gritando)
Vocês conhecem a lenda do Golem? Pois saibam que ele existe. E está por toda parte. ele tem o olho-que-tudo-vê. Será preciso mudar a mentalidade que vocês trazem do seu mundo real, para superar esse monstro, que nada tem de lendário. Ele é a Grande Sombra sobre a Báçira!
Foi ela terminar a frase e um bicho voador passou zunindo sobre nossas cabeças. Era ela! Era a Grande Sombra! Ou melhor: era ele, o Golem!
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(גולם)
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Dona Miúda se escafedeu, antes que eu pudesse perguntar alguma coisa. Mas, compadre Carlos, doido por mitologia, conhecia também essa história. Corremos de volta para a caverna e depois de nos abrigamos daquele objeto voador não-identificado e disforme, Dr. Carlos, o mitólogo de Goité, então me contou tudo, tintim por tintim.
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A lenda do Golem
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Para os fiéis do judaísmo cabalista, o Golem é um gigante feito de barro, geralmente, por um oleiro e que ganha vida por meios mágicos para ficar escravo de seu criador. Portador de força descomunal, um Golem é muito útil, como se fosse um animal de carga, para serviços pesados. Quem conhece o segredo mágico de criar um desses monstros, ganha muito poder, muito dinheiro e ascensão social.
Existem diversas formas de Golem. Depende de como o oleiro o fabrique. Há os semelhantes aos humanos, há os com forma de touros e… os alados, esses os mais perigosos. Pois acontece que um Golem só deve durar um mês. Depois disso a magia cessa e ele se liberta do seu dono. O oleiro que fabrica um desses monstros, deve estar atento, para desfazer a magia, antes de que ele se torne uma maldição para o povo.
Um Golem gosta de fumaça, e, para isso, precisa queimar florestas inteiras. O ar puro não lhe faz bem. Por isso, onde há queimadas, como nos canaviais, pode existir um Golem. Além disso, um Golem pode ficar invisível. Dizem que nas grandes queimadas da região amazônica, se esconde um imenso Golem, destruidor e faminto.
***
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(Seu Pavão, asseverando)
— Isso mesmo, Dr. Carlos, disse o Seu Pavão, adentrando o nosso abrigo. Tudo o que vem acontecendo com as florestas, começa com a ganancia de alguém que compra um desses gigantes e não conhece o risco que corre. Entenderam, agora, porque é da mentalidade do mundo de vocês que vem o perigo para a Báçira? Todo capitalista, especulador e ganancioso quer um Golem. Para ele, não importa o quanto ele possa destruir da natureza, desde que lhe traga grandes lucros.
— E como iremos enfrentar tal fera?
— Eu já disse: no dia em que todos os adultos tiverem o coração de uma criança!
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(N. do A.: continua na próxima postagem, esse folhetim virtual, que não passa de exercícios de um curso de escrita criativa, que ando fazendo. Tudo aqui é provisório.rsrsrs)
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Sinalética da Báçira:
Experimento gráfico, a partir das técnicas de formatação de roteiros
(consulte o almofariz para ver a sinalética)
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