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Seu Pavão aparece com uma surpreendente plumagem branca. Era a indumentária do ofício. Estava como que transfigurado. Talvez, com uma entidade incorporada, sei lá!
Em seu pronunciamento, parecia outra pessoa. Sua fraseologia remetia, estranhamente, a um sábio oriental. Citou vários aforismos, mas só um ficou retido em minha mente:
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Como ensinar cores aos cegos de nascença?
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(Seu Pavão fala no meio da roda)
— Forasteiros, sejam bem-vindos ao mundo da Báçira. Este é o mundo verdadeiro. Vocês acreditam, desde tenra infância, que habitam em um mundo real. Não é assim? Porém cada um de nós inventa um mundo para si mesmo. Nele vivemos, nos movemos e existimos. Cada mundo é composto de desejos e da busca dos desejos, de medo e de estratégias para evitá-lo. Como dizem: cada cabeça é um mundo. Seu mundo é um mero artefato da sua mente. Uma ilusão. Vocês vieram à Báçira movidos pelo afã de compreensão, pela curiosidade pueril, apesar de serem dois sexagenários. Com a ajuda da professora Dona Miúda, nós escolhemos vocês para essa cerimônia de iniciação.
Em Báçira, todos os véus serão retirados.
No entanto, o mundo da Báçira está em perigo. E precisa de adultos com alma de criança. Lembram da passagem bíblica: se não vos tornardes como uma dessas crianças, não entrareis no meu reino!
Pois bem… Vocês foram escolhidos para o rito iniciático da Báçira. Preparem-se! A verdade vos libertará da ilusão da realidade lá de fora! O ritual de sacrifício tem o poder de “ensinar cores a cegos de nascença!“
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Ï(((
Intrigados, ouvíamos Seu Pavão, discursando, naquele lindo e estranho alvorecer. Em que bizarro mundo nós viemos parar?
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)Ï Ï(
(E Seu Pavão continuou:)
Uma vez que vocês entendam que a ilusão é uma doença da mente, vocês encontrarão o caminho de saída. Jamais esqueçam disso, durante o sacrifício. Pessoas como vocês são a última esperança da Báçira! Já trouxemos às dúzias, talvez, centenas, mas, poucos acharam a saída.
***
Ï(((
A um gesto de Seu Pavão, dois silvícolas parrudos nos pegaram pelos braços. Em seguida, formou-se uma fila indiana, bichos e índios, a bater as palmas das mãos e a gritar:
(Ï)
Morte! Morte! Morte!
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Olhei para o compadre Carlos e ele, calmamente, guardava sua caderneta no bolso do blusão.
O cortejo, nós na frente, seguiu na direção da montanha mais alta da Báçira.
Sinalética da Báçira:
Experimento gráfico, a partir das técnicas de formatação de roteiros
(consulte o almofariz para ver a sinalética)
Num quero mais ir pra passargada.
Quero conhecer o mundo de Bácira.
Deixa a estória rolar. Pode ser que vc seja levado por seus netinhos. Báçira é um estado de espírito!