Durmo muito, ou fico zen, horas seguidas, sem nada fazer, nada pensar, nada dizer. Não preciso comunicar. Basta-me a conexão. A onímoda conexão.
Não leio nada. Prefiro flutuar. Como quem se entrega à correnteza de um rio imaginário, com a segurança de quem não tem outra alternativa que o mundar do mundo. O peixe não pergunta pelo ser da água. E a águia apenas voa, sem se perguntar o que é a ventania.
Estou sempre no automático. Na amanualidade da minha rotina. Sou uma criança que mal entende os sons e os silêncios.
Aliás, no silêncio há uma conexão profunda; nos odores, os territórios dos marcos; nos cheiros, as marcas.
E a vida é uma bola de lã que se desfia. Aquilo que está em movimento é a vida. Esgueiro-me, esperto, pé ante pé. Tento capturá-la e ela já escapou de mim, desviando-se, desfiando-se, desfazendo-se.
Quero emitir sons ininteligíveis e guturais como os urros dos grandes felinos, quando estão famintos. Só me saem miados famélicos. bem do fundo das minhas vísceras vazias.
Saciar minha fome e minha sede: minha única meta.
Depois voltar a dormir, por horas a fio…
E quando acordar, se acordar, recomeçar tudo de novo: bola de lã, de linha, fofa e leve (a vida é de pelúcia?); deitar e rolar no meu mundo, mundando… crescer, reproduzir, reproduzir, reproduzir e desaparecer suavemente, sem deixar o mais mínimo rastro.
E só…
