
Janelas da alma, são os olhos, dizem velhos adágios. Mormente, se olhos de uma mulher.

Janelas da alma, são os olhos, dizem velhos adágios. Mormente, se olhos de uma mulher.
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Não é a toa, também, que as matas que margeiam os rios são chamadas: ciliares. Os rios, feito olhos acusadores, placidamente acusadores, são os olhos das cidades, florestas de pedra que ora os margeiam. A cidade, mulher lutuosa, olha nos olhos desse rio:

Neste rio que vejo, que vemos, os cílios são rubros, feito a flor dos flamboyants. E nesse espelho de águas turvas águas turvas águas turvas águas turvas… flutuam pequeninas pétalas encarnadas, ou seja, de um vermelho distorcido e cheio de pretéritos, a lembrar um remoto tom laranja, de uma imemorial Mauricéia.
Agora, uma mulher debruçada sobre a mureta da velha ponte. Seus olhos avermelhados (teria chorado?) contemplam o encontro das águas. Os rios se unem e juntos vão inaugurar o mar.
Uma mulher com cílios enormes e um rio de lágrimas a escorrer pelas janelas da alma.
Uma mulher…
Uma cidade…
A Aurora…