
A juventude varzeana descobriu Fernandão e descobriu-se.
E nem imaginam o quanto da Várzea dos anos 1970, com ele está preservada.
A vida rural e urbana da velha Várzea, a vida coletiva e em salutar comunhão diária, ali, na rua das Laranjeiras, ficou preservada para a moçada dos dias de hoje.
Vida rurbana e cult/rural, eis o espaço e a psicosfera guardadas nessa vida simples.
Com quanta naturalidade, José Fernando recebe a todos e todas. Cada um e cada uma participa da faina cotidiana: cozinhar, faxinar o quintal, tocar um instrumento e até compor sambas de coco.
Lembramos, nesse convívio, a passagem dos Novos Baianos pelo Rio de Janeiro. Essa vida comunal só existiu porque havia uma anterioridade, um prius, ou seja, a abertura para essa possibilidade. Tanto no Sítio dos Novos Baianos, no Rio de 1970, quanto no quintal dos novos varzeanos da casa aconchegante do Fernandão, nesse fecundo, 2026.
Quedei-me a ouvir Anax, indo da crítica profunda ao pensamento nietzscheano até o “coco da coca,” improviso feito em cima de um mote da poeta Lucíola França.
E me surpreendi, jogando dominó no quintal, quando o mestre, gentilmente, nos deixou vencer. Eis o ápice da hospitalidade. Perder para dois principiantes.
E não pude deixar de registrar a imagem de uma geladeira/despensa em que alguém colou na porta uma interessante receita da felicidade

Essa apologia ao mestre não é saudosimo, porquanto comungo do mesmo sentimento dos jovens que não viveram a velha Várzea da minha adolescência.
Uma loa ao Mestre Fernandão e um abraço afetuoso em sua companheira, Ana, que compõe, com ele, esse cenário amoroso.
Essa e tantas outras crônicas do meu compadre poeta, Lula, une alegria, beleza, leveza, lirismo, encanto e principalmente a subjetividade e a sensibilidade da poesia.🤗🙌🏽💌🎶👏🏽👏🏽👏🏽